Vale a pena comprar um imóvel antes dos 30 anos de idade?

    Não atingir essa conquista deve ser motivo de frustação? Quais devem ser os fatores cruciais a nortear a opção pela compra ou não de um imóvel por um jovem?

    Chaves na MãoPor : Chaves na Mão4 anos atrás

    Comprar um imóvel antes dos 30 anos.

    Respondendo logo de cara a uma das perguntas que mais afligem os jovens, não, chegar aos 30 anos sem ter um imóvel próprio não é motivo para frustação. Agora, isso também não é motivo para relaxar: pensar em comprar um imóvel em algum momento da vida não tão distante e se preparar para isso desde cedo é uma ótima ideia.

    Confira, abaixo, a opinião de dois especialistas em finanças pessoais com opiniões bastante distintas sobre a compra de imóveis por jovens. A partir da visão deles, veja o que você deve ponderar ao tomar sua decisão e planejar a idade certa de comprar um imóvel.

    “Compare a taxa de aluguel com a taxa de retorno dos investimentos e com o custo do financiamento imobiliário. ” Samy Dana, professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV)

    O professor tem uma visão bastante pragmática. Para ele, independentemente da idade, o fator técnico a se levar em conta para decidir entre alugar e comprar um imóvel é a taxa de aluguel. Para calculá-la é preciso dividir o valor do aluguel de um imóvel semelhante ao que você deseja comprar pelo valor do imóvel em si.

    Por exemplo, se você quer morar em um imóvel que custe na faixa dos 500 mil reais, e o aluguel de um imóvel como esse na mesma região custa cerca de 2 mil reais, a taxa de retorno do aluguel desse tipo de moradia é de 0,40% ao mês, ou 4,91% ao ano, antes de IR.

    Na poupança, por exemplo, é possível conseguir atualmente 0,50% ao mês (6,17% ao ano) mais Taxa Referencial, sem a incidência de IR.

    Se você tem o dinheiro na mão para comprar esse imóvel à vista, deve ser perguntar se é possível ganhar mais do que isso em uma aplicação financeira. Em caso positivo, vale mais a pena investir e morar de aluguel com o Custo Efetivo Total (CET) do financiamento. Nesse caso, a compra provavelmente seria ainda mais vantajosa, uma vez que as taxas de juros e outros custos dos financiamentos imobiliários podem facilmente rondar 1% ao mês.

    “Não se prenda demais enquanto ainda é jovem”. Nicolas Tingas, economista-chefe da Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento (Acrefi)

    Para Nicolas Tingas, economista-chefe da Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento (Acrefi), jovens devem evitar ao máximo imobilizarem seu patrimônio e se prenderem a um lugar. Na opinião dele, a melhor coisa que um jovem pode fazer com seu dinheiro é investir na sua própria formação, em cursos de idiomas, em viagens, no aprendizado de novas tecnologias, enfim, na aquisição de experiência de vida.

    Tudo isso ajuda o jovem a obter uma renda maior no futuro, assim como estar aberto a mudanças de cidade e até de país pode ajudar bastante no crescimento profissional. Além disso, essa flexibilidade também pode auxiliar em uma eventual mudança de trajetória.

    “Quando somos jovens, podemos querer mudar de carreira, fazer uma especialização, morar em outro país, ou fazer outra graduação. Essas coisas requerem recursos, e o imóvel amarra demais a pessoa”, observa Tingas.

    Ele ainda lembra que, pelo menos até os 30 anos, a renda do jovem costuma ser baixa em comparação ao tamanho do compromisso financeiro que é comprar um imóvel.

    Em geral, nessa altura da vida, o jovem ainda não tem reservas suficientes, e precisa financiar a maior parte do valor do imóvel por um longo tempo.

    Embora não seja possível comprometer mais de 30% da renda em um financiamento imobiliário, esse percentual já pode ser muito elevado para quem ainda tem uma renda baixa, não sobrando muita coisa para que o jovem possa investir em si mesmo. O planejador financeiro não nega que os imóveis estejam caros, nem que seja preciso manter certa flexibilidade, como hoje em dia está cada vez mais difícil comprar um imóvel.

    “O custo de oportunidade de comprar um imóvel financiado é muito alto, porque ao comprometer sua renda ainda reduzida com um financiamento, não sobra praticamente nada”, diz Tingas.

    Entre os 25 e 30 anos o jovem ainda tem tempo para financiar, tem mais facilidade para arrumar emprego e não tem os custos elevados de ter um filho. Agora, se sua carreira exige que você se mude ou se você quer ter uma carreira internacional, aí realmente comprar não vale a pena.

    Como hoje em dia está cada vez mais difícil comprar um imóvel, começar aos 30 com um apartamento menor e mais simples pode ajudar na compra de um imóvel melhor numa fase posterior da vida. “O jovem pode começar com um imóvel mais modesto, que em média pode subir aproximadamente o mesmo que os outros, e depois usar esse imóvel como entrada para outro melhor”, explica.

    Fonte: Revista Metro Quadrado, Edição 01 – 19/03/2014

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