FIIs no mercado imobiliário: fundos já respondem por 73% das transações e mudam a dinâmica do setor
FIIs no mercado imobiliário concentrara 73% das compras de imóveis em 2025, influenciando preços, vacância e perfil dos investidores.
Os FIIs no mercado imobiliário passaram a ocupar uma posição central nas grandes negociações de imóveis no Brasil.
De acordo com estudo da CBRE, os fundos imobiliários foram responsáveis por aproximadamente 73% do volume total de transações imobiliárias em 2025, um percentual que evidencia uma mudança estrutural no perfil dos compradores e na forma como o setor se organiza.
Esse movimento não apenas reforça o papel dos FIIs como protagonistas nas aquisições de ativos, mas também ajuda a explicar transformações importantes nos preços, na vacância e na estratégia de ocupação dos imóveis corporativos e logísticos.
Volume financeiro reforça protagonismo dos fundos
O levantamento aponta que o mercado imobiliário comercial movimentou cerca de R$ 27,6 bilhões em transações ao longo de 2025, considerando operações concluídas até novembro.
Esse valor supera a média histórica observada em ciclos anteriores e confirma que o setor vive um momento de reorganização após anos de ajustes.
Quando comparado a períodos como 2005 a 2008, ou mesmo entre 2019 e 2024, o volume atual se mostra mais concentrado e profissionalizado, com os fundos imobiliários liderando as operações.
Na prática, isso significa menos compras pulverizadas e maior presença de investidores institucionais com foco em renda, eficiência e gestão de longo prazo.
Por que os FIIs ganharam tanto espaço no mercado imobiliário
O avanço dos FIIs no mercado imobiliário está ligado a uma combinação de fatores econômicos, regulatórios e comportamentais. Entre os principais pontos estão:
Maior maturidade do mercado de capitais brasileiro
Busca por previsibilidade de renda em um cenário de juros mais altos
Profissionalização da gestão imobiliária
Facilidade de acesso ao investimento via bolsa de valores
Interesse crescente de investidores pessoa física e institucionais
Além disso, muitos fundos passaram a adotar estratégias mais ativas, envolvendo reciclagem de portfólio, venda de ativos maduros e compra de imóveis com maior potencial de valorização ou reposicionamento.
Segmento logístico segue como um dos mais disputados
O setor de galpões logísticos continua entre os mais aquecidos do mercado imobiliário brasileiro.
A combinação entre crescimento do comércio eletrônico, reorganização das cadeias de distribuição e demanda por localização estratégica manteve o segmento em destaque ao longo de 2025.
Estados como São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro concentraram grande parte das absorções líquidas, o que ajudou a reduzir as taxas de vacância em regiões mais caras.
Para os fundos imobiliários, os galpões logísticos oferecem contratos de longo prazo, menor volatilidade e, em muitos casos, reajustes atrelados à inflação.
Mercado de escritórios mostra sinais claros de recuperação
Após anos de pressão provocada pela pandemia e pelo trabalho remoto, o mercado de escritórios começa a mostrar uma recuperação mais consistente, especialmente nos empreendimentos de alto padrão.
Edifícios classificados como triple A, localizados em regiões consolidadas das grandes capitais, registraram queda significativa na vacância.
Em alguns casos, os níveis se aproximam de patamares considerados saudáveis para o mercado.
Os FIIs tiveram papel relevante nesse processo, tanto na aquisição de ativos estratégicos quanto na negociação de contratos de pré-locação, o que contribuiu para maior previsibilidade de receita e redução de riscos.
Data centers ganham espaço no portfólio dos fundos
Um dos destaques do estudo é o crescimento do segmento de data centers dentro do mercado imobiliário.
O Brasil já ocupa posição de liderança na América Latina em capacidade instalada, impulsionado pela digitalização da economia, expansão da nuvem e aumento do consumo de dados.
Para os fundos imobiliários, esse tipo de ativo apresenta características atrativas, como contratos longos, alta barreira de entrada e demanda estrutural crescente.
Como resultado, os data centers passaram a integrar estratégias de diversificação e inovação dentro dos portfólios imobiliários.
Mudança no perfil dos compradores e impacto nos preços
Historicamente, grandes empresas, incorporadoras e investidores estrangeiros dominavam as transações de imóveis comerciais no país.
O cenário atual, no entanto, mostra uma concentração muito maior nas mãos dos fundos imobiliários listados.
Essa mudança afeta diretamente a formação de preços e a dinâmica de negociação.
Com maior poder de compra e visão de longo prazo, os FIIs influenciam padrões de qualidade, governança e o ritmo de novos lançamentos.
Além disso, a atuação mais racional dos fundos tende a reduzir movimentos especulativos e trazer maior estabilidade ao mercado.
O que esperar para os próximos anos
A tendência é que os FIIs no mercado imobiliário continuem desempenhando papel central nas grandes operações, especialmente enquanto o ambiente econômico exigir disciplina financeira e foco em geração de caixa.
Com o avanço da profissionalização, espera-se também maior segmentação dos fundos, com estratégias específicas para logística, escritórios, renda urbana, ativos alternativos e desenvolvimento.
Para o mercado como um todo, isso representa um setor mais transparente, eficiente e alinhado às práticas globais de investimento imobiliário.
