Mercado imobiliário da Arábia Saudita passa por abertura histórica ao capital estrangeiro
O mercado imobiliário da Arábia Saudita será aberto a investidores estrangeiros em 2026, com regras específicas e investimento mínimo alto.
O mercado imobiliário da Arábia Saudita inicia uma nova fase em 2026 com a abertura a investidores estrangeiros.
A mudança representa um marco relevante para o setor e faz parte de uma estratégia mais ampla do país para atrair capital internacional, diversificar a economia e reduzir a dependência do petróleo.
Até então, a compra de imóveis era praticamente exclusiva para cidadãos sauditas, com exceções muito limitadas.
Com o novo decreto, estrangeiros passam a poder adquirir propriedades ou direitos imobiliários em áreas específicas, desde que atendam a critérios rigorosos, incluindo um investimento mínimo elevado.
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Como funcionará a nova abertura
O decreto real M/14 substitui a lei de 2000 e autoriza indivíduos, empresas e fundos estrangeiros a adquirir propriedade ou direitos imobiliários em áreas definidas pela Autoridade Geral de Imóveis.
As autoridades ainda definirão oficialmente as zonas permitidas, e estrangeiros só poderão registrar negociações de imóveis dentro dessas áreas.
Requisitos mínimos de investimento e condições
Investimento mínimo significativo
O governo saudita exige investimento mínimo de 30 milhões de riais sauditas (cerca de R$ 43,2 milhões) para grandes projetos imobiliários, incluindo terreno e construção.
Esse valor foi definido como condição para incentivar investidores de longo prazo e de grande porte, e não projetos menores de especulação rápida.
Regras específicas para residência premium
Programas como a Premium Residency exigem investimento mínimo de 4 milhões de riais sauditas (cerca de R$ 5,8 milhões) em imóveis, acima do padrão de países vizinhos como os Emirados Árabes Unidos.
Implicações para estrangeiros
Quem pode investir
O novo regime permite que:
Estrangeiros não residentes comprem em zonas específicas designadas pelo governo;
Estrangeiros com residência válida (iqama) adquiram um imóvel residencial fora dessas zonas específicas, dependendo das regras locais;
Empresas internacionais e investidores institucionais comprem terrenos e unidades para utilização comercial, industrial ou residencial, desde que cumpram os requisitos legais e de capital.
Custos adicionais e compliance
Além do investimento mínimo, estrangeiros pagam imposto de transferência de cerca de 5% e taxas adicionais que podem chegar a 10%.
Infrações às regras, como tentar registrar uma aquisição fora das zonas aprovadas ou fornecer informações falsas, podem acarretar multas de até SAR 10 milhões (aproximadamente R$ 14,4 milhões).
Comparação com outros mercados do Golfo
A Arábia Saudita chega à abertura plena do mercado imobiliário num momento em que outros centros, como Dubai, enfrentam ajustes de oferta e correções nos preços após anos de forte valorização.
Enquanto Dubai lidera em liquidez e infraestrutura, a Arábia Saudita foca investidores de alto patrimônio e retornos de longo prazo, com peso cultural e religioso.
Impactos esperados e futuro do setor
A reformulação do mercado imobiliário estrangeiro se alinha à Visão 2030 e aos grandes projetos urbanísticos do país, como NEOM, Qiddiya e áreas econômicas especiais, que buscam consolidar a Arábia Saudita como destino global de investimento imobiliário, mas sob regras rígidas e com critérios de entrada elevados.
Além disso, especialistas avaliam que a estratégia atrai investidores institucionais e de alto patrimônio e amplia o capital estrangeiro nos segmentos residencial, comercial e misto.
Conclusão
A abertura do mercado imobiliário da Arábia Saudita aos estrangeiros marca um movimento estratégico do país para atrair capital qualificado e acelerar sua agenda de diversificação econômica.
Com regras claras, investimento mínimo elevado e áreas bem delimitadas, o governo sinaliza que busca crescimento estruturado e de longo prazo, e não especulação.
Para investidores internacionais, o novo cenário representa oportunidade, mas exige atenção às exigências legais e ao perfil seletivo do mercado.
