Faixa 4 do Minha Casa Minha Vida ainda não deslanchou; veja os motivos
Faixa 4 do Minha Casa Minha Vida busca ajudar a classe média a financiar imóveis de até R$ 500 mil, mas ainda enfrenta entraves no mercado.
A faixa 4 do Minha Casa Minha Vida foi criada em 2025 para ampliar o acesso da classe média à casa própria, oferecendo condições especiais de financiamento.
O programa faz parte de uma das principais promessas do governo Lula e busca atender famílias com renda de até R$ 12 mil, permitindo a compra de imóveis de até R$ 500 mil.
Apesar do grande interesse registrado, os resultados ainda estão abaixo do esperado.
Nesta matéria, você entenderá por que a adesão foi tímida, quais benefícios o programa oferece e quais desafios precisa superar para que a faixa 4 realmente se torne um sucesso.
O que é a faixa 4 do Minha Casa Minha Vida
Lançada em maio de 2025, o governo Lula criou a faixa 4 do Minha Casa Minha Vida para atender famílias da classe média que ganham até R$ 12 mil por mês.
Com ela, é possível financiar imóveis de até R$ 500 mil com juros menores que os praticados no mercado tradicional.
Apesar de parecer uma boa oportunidade, os números iniciais mostram que o programa ainda não “pegou”.
Ou seja, o interesse da população existe, mas as contratações estão abaixo do esperado.
Quantos contratos já foram fechados?
De acordo com a Caixa Econômica Federal, desde o lançamento da faixa 4, mais de assinados 7 mil contratos foram assinados.
Esse número representa apenas 5,8% da meta definida pelo governo, que é contratar 120 mil moradias até o final do próximo ano.
Atualmente, o banco também possui 15 mil contratos em negociação e já registrou mais de 1 milhão de simulações no sistema.
As simulações são quando as famílias testam as condições de financiamento para ver se conseguem pagar as parcelas.
Para o diretor de crédito imobiliário da Caixa, Roberto Ceratto, essa procura demonstra que existe interesse real.
Mas, segundo ele, é preciso dar tempo para que o mercado e as construtoras se adaptem ao novo formato.
Vantagens do financiamento
A grande diferença da faixa 4 do Minha Casa Minha Vida em relação ao crédito comum é o juro mais baixo.
Enquanto no mercado tradicional a taxa média está em 13% ao ano, na faixa 4 o financiamento possui juro de 10% ao ano.
Outro ponto atrativo é o prazo de pagamento, que pode chegar a 420 meses, ou seja, 35 anos.
Além disso, quanto maior o prazo, menor fica a parcela mensal, o que pode ajudar muitas famílias a realizar o sonho da casa própria.
O desafio dos juros altos
Mesmo com juros reduzidos, muitas famílias ainda sentem dificuldade para assumir um financiamento.
Isso acontece porque os juros altos no mercado imobiliário encarecem as parcelas, diminuindo o poder de compra das pessoas.
A proposta do governo com a faixa 4 do Minha Casa Minha Vida é justamente devolver esse poder de compra para a classe média, que antes estava praticamente excluída dos financiamentos habitacionais.
Por que a Faixa 4 do Minha Casa Minha Vida anda devagar?
Segundo a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), um dos principais problemas é a falta de imóveis adequados ao programa.
As construtoras ainda não tinham projetos prontos para essa nova faixa e, por isso, a oferta está limitada.
Por enquanto, a maioria das contratações está concentrada em imóveis usados ou em apartamentos de empreendimentos que já estavam lançados no mercado.
A expectativa é que, ao longo dos próximos 12 meses, novas construções sejam adaptadas para essa categoria.
E o lado das construtoras?
Outro desafio é que o financiamento para as construtoras funciona de forma diferente.
Enquanto as famílias têm juros subsidiados, as empresas ainda estão pegando crédito com taxas mais altas, sem o mesmo benefício.
Isso significa que, para elas, construir imóveis voltados à faixa 4 do Minha Casa Minha Vida ainda não é tão atrativo financeiramente.
O setor pressiona o governo para criar condições melhores de financiamento para pessoa jurídica, o que poderia acelerar a produção.
Qual é o orçamento da faixa 4 do Minha Casa Minha Vida
O governo destinou R$ 30 bilhões para a faixa 4.
Metade desse valor vem do fundo social do pré-sal e a outra metade de recursos próprios da Caixa Econômica Federal.
A previsão do Ministério das Cidades é que esse orçamento seja utilizado até 2026.
No entanto, representantes do setor acreditam que, se o ritmo continuar lento, ajustes podem ser feitos para tornar o programa mais atrativo.
Expectativas para os próximos meses
Empresas como Direcional e MRV&CO afirmam que o cenário deve melhorar aos poucos.
Para elas, é normal que um programa novo leve tempo até que as famílias se adaptem às regras e os times de vendas das construtoras entendam como oferecer os imóveis.
O consenso entre governo e setor imobiliário é de que a faixa 4 do Minha Casa Minha Vida tem grande potencial para beneficiar a classe média, mas ainda precisa de ajustes para ganhar velocidade.