O que é o Programa Mover e por que ele é estratégico
Programa Mover 2026 define regras de eficiência energética para fabricantes, impulsionando eletrificação e penalizando carros mais poluentes.
Fonte: FreepikO Programa Mover, implementado em 2026, marca uma mudança estrutural na política automotiva brasileira ao estabelecer regras mais rígidas de eficiência energética para veículos vendidos no país.
A iniciativa faz parte da estratégia do governo federal para alinhar o Brasil às metas globais de redução de emissões, ao mesmo tempo em que busca fortalecer a indústria nacional por meio de inovação tecnológica.
Na prática, o Mover substituiu modelos antigos de incentivos, como o Rota 2030, trazendo critérios mais abrangentes e mensuráveis.
A eficiência energética passa a ser um fator central para acesso a benefícios fiscais, financiamentos e créditos regulatórios, deixando de ser apenas um diferencial competitivo.
Origem do Programa Mover e objetivos de longo prazo
O Mover, sigla para Mobilidade Verde e Inovação, foi instituído por lei em 2024 e regulamentado por decretos e portarias publicadas entre 2025 e 2026.
O programa foi desenhado para vigorar até 2030, com revisões periódicas de metas, permitindo ajustes conforme a evolução tecnológica do setor.
Entre os principais objetivos do Programa Mover 2026, estão:
Reduzir o consumo energético médio da frota vendida no Brasil
Diminuir as emissões de gases de efeito estufa ao longo do ciclo de vida do veículo
Incentivar o desenvolvimento de tecnologias limpas no país
Estimular investimentos industriais e geração de empregos qualificados
Tornar o mercado automotivo brasileiro mais competitivo globalmente
Diferentemente de programas anteriores, o Mover amplia o olhar sobre sustentabilidade ao considerar não apenas o uso do veículo, mas também seu impacto ambiental ao longo de toda a cadeia produtiva.
Como funcionam as regras de eficiência energética do Programa Mover 2026
A regulamentação do Programa Mover define um sistema de metas anuais que devem ser cumpridas por montadoras e importadoras.
Cada fabricante precisa comprovar que sua frota de veículos emplacados atende aos níveis mínimos de eficiência energética estabelecidos pelo governo federal.
Entre os principais pontos técnicos das regras, destacam-se:
Cálculo da eficiência com base nos veículos efetivamente vendidos
Metas progressivas, que se tornam mais exigentes ao longo dos anos
Metodologias padronizadas para permitir comparação entre fabricantes
Envio obrigatório de relatórios técnicos ao MDIC dentro dos prazos definidos
Auditorias independentes para validação das informações declaradas
Esse modelo cria um ambiente de maior previsibilidade regulatória, mas também eleva a responsabilidade das empresas sobre o desempenho ambiental de seus produtos.
Mudança no critério de medição: do tanque à roda para o poço à roda
Uma das mudanças mais relevantes do Programa Mover é a adoção do conceito conhecido como “poço à roda”.
Esse critério avalia todo o ciclo energético envolvido no uso do veículo, desde a geração da energia ou produção do combustível até o deslocamento nas ruas.
Com essa abordagem, o programa passa a considerar fatores como a origem da eletricidade, o impacto ambiental da produção de combustíveis, as perdas no transporte e a eficiência do veículo em operação.
Isso torna a avaliação mais realista e favorece tecnologias alinhadas à matriz energética brasileira, que é majoritariamente renovável.
Sistema de bônus e malus: incentivos e penalizações
O Programa Mover adota um sistema de bônus e malus para estimular a evolução tecnológica do mercado automotivo.
Fabricantes que superam as metas de eficiência energética acumulam créditos, enquanto aqueles que ficam abaixo do exigido podem sofrer penalizações.
Na prática, esse modelo permite que montadoras equilibrem seus portfólios, compensando veículos menos eficientes com modelos mais limpos.
Ao mesmo tempo, cria pressão regulatória para a retirada gradual de tecnologias ultrapassadas, acelerando a adoção de carros híbridos, elétricos e soluções mais eficientes.
Impactos diretos no mercado automotivo brasileiro
A implementação do Programa Mover deve provocar mudanças relevantes no mercado automotivo nacional.
Especialistas apontam que a eletrificação deixa de ser apenas uma estratégia de marketing e passa a ser um pilar central do planejamento das montadoras.
A expectativa é de que o mix de produtos seja ajustado ao longo dos próximos anos, com maior presença de veículos eletrificados e redução gradual de versões menos eficientes.
Estudos indicam que a eficiência energética média da frota pode melhorar entre 8% e 12%, dependendo das decisões estratégicas de cada fabricante.
Desafios e perspectivas para os próximos anos
Apesar dos avanços, o Programa Mover também impõe desafios, especialmente para empresas com portfólios mais conservadores ou fortemente baseados em tecnologias tradicionais.
Importadores também precisarão adaptar seus produtos às novas exigências regulatórias.
Por outro lado, o histórico da indústria automotiva brasileira mostra que o setor costuma superar metas técnicas quando há previsibilidade e incentivos claros.
Isso reforça a expectativa de que o programa gere resultados positivos antes mesmo do prazo final previsto.
Conclusão
O Programa Mover representa um avanço significativo na política automotiva brasileira ao estabelecer regras claras de eficiência energética, incentivar a inovação e alinhar o país às práticas globais de sustentabilidade.
Ao combinar metas progressivas, sistema de bônus e malus e uma nova metodologia de avaliação ambiental, o programa redefine os rumos da mobilidade no Brasil.
