Saudades do Uno Mille

    É bem provável que você nunca mais tenha a oportunidade de comprar um carro zero quilômetro com suspensão independente nas quatro rodas por menos de 25mil.

    Chaves na MãoPor : Chaves na Mão5 anos atrás

    História Uno Mille

    É bem provável que você nunca mais tenha a oportunidade de comprar um carro zero quilômetro com suspensão independente nas quatro rodas por menos de R$25.000.

    Com sorte, você também não encontrará algo tão espartano e valente no mercado automotivo.

    Muito mudou com o encerramento da produção e o fim do estoque do antigo Fiat Uno.

    Foto: divulgação

    Depois de 30 anos explorando o Uno, a Fiat resolveu parar de gastar suas energias com a produção do antigo modelo, especialmente por causa da obrigatoriedade de freios ABS e airbags.

    Historicamente, a adaptação seria possível, mas o melhor que a Fiat pode fazer foi lançar a série Grazie Mille, um Uno Mille mais equipado que a versão anterior.

    Primeiro carro global da Fiat, o Uno foi o resultado de duas frentes de criação: o projeto 143 de Pier Giorgio Tronville, do Centro Stile Fiat, e o 144, da Italdesign de Giorgetto Giugiaro.

    O Uno que conhecemos é o 144, diferente do que era vendido na Europa, a partir de 1983, em substituição ao 127.

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    Isso porque, após realizar uma bateria de testes, a Fiat constatou que a suspensão original do Uno não suportaria as condições viárias do Brasil.

    Dessa forma, a suspensão traseira do Uno foi adaptada para o Brasil, já que a versão italiana não resistiria.

    Trocar toda a suspensão traseira comprometeu o espaço para o estepe sob o porta-malas, e a solução foi abrir espaço sob o capô, na frente do motorista, como era no 147.

    Tal peculiaridade perdura até hoje mas, para isso, o capô precisou ficar um pouco mais alto.

    A suspensão traseira do Uno, mesmo independente e robusta, requer cuidados: as rodas traseiras exigem alinhamento periódico e tende a tornar a cambagem mais negativa à medida que o feixe de molas cede, ou por acréscimo de carga.

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    E foi assim que em o Uno chegou ao mercado brasileiro, em três versões: S – a mais simples –, a CS – intermediária –, e a SX – top de linha. O Uno foi a grande aposta da Fiat, mas em seu primeiro ano teve apenas 12.899 unidades vendidas, contra 28.093 unidades do 147, que seria substituído pela novidade.

    Porém, em 1985, o Uno vendeu 36.583 unidades, totalizando 21.808 carros a mais do que o 147, que dois anos depois já tinha apenas 490 unidades vendidas por ano.

    Logo em 1985 a Fiat lançou, também, a versão sedã do Uno, chamada de Prêmio, com traseira alta e lanternas chamativas.

    O modelo fez muito sucesso e, um ano depois, veio a versão Station Wagon, a chamada Elba, que tinha como principal destaque o porta-malas com capacidade superior a 500 litros, com bancos rebatidos.

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    Em 1988 foram lançados o Fiorino – o furgão da família Uno, que fez muito sucesso por ser barato e resistente –, o Uno Pickup, rebatizado de Fiorino Pickup em 1992 –, e o Uno Furgão – uma alternativa barata para quem precisava de um veículo versátil e que pudesse levar um determinado número de cargas.

    A família Uno estava, então, formada, com motorizações 1.3, 1.5 de 82 cv e 1.6 de 88 cv.

    Em 1990, enfim, é lançado o Uno Mille, com apenas 48 cv, para inaugurar o mercado de 1000cm³ e tentar reduzir impostos e custos.

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    Em 1991, toda a linha Uno passa por reestilização, ganhando a “frente baixa”, garantindo modificações futuras por partes dos donos de modelos anteriores.

    Com design mais sóbrio, o Uno ganhou, também, injeção eletrônica nas versões S e CS em 1992 e, em 1993, ganhou a versão Eletronic, que trazia ignição eletrônica e, enfim, a opção de quatro portas.

    No ano seguinte, com vendas baixas, o Prêmio sai de linha após, em seus últimos anos – a partir de 1991 –, ter ganho versões mais requintadas, assim como a versão Elba – descontinuada em 1996, com o lançamento do Palio.

    Ainda em 1994, iniciou-se a produção do Uno Turbo, o primeiro carro nacional com turbo de série em seu motor 1.4 de 116 cv, mas que durou apenas dois anos.

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    Ainda em 1996 o Uno 1.5 foi descontinuado e o Mille ganhou pequenas atualizações estéticas.

    Versões como SX e Young foram lançadas em 1997 e, em 1999, a Fiorino Pickup saiu de linha, após ter seu lugar roubado pela Strada, recém-lançada.

    Em 2000, o modelo ganhou uma versão básica, a chamada Smart, que custava em torno de R$11.000, e que no ano seguinte  ganhou o motor Fire 1.0 de 55 cv, substituindo o motor Fiasa.

    O Uno permaneceu praticamente sem mudanças até 2004, quando completou seus 20 anos de produção e ganhou uma reestilização – novos faróis, lanternas e interior –, conquistando novos consumidores. Pacotes como Celebration ofereciam cada vez mais equipamentos inéditos no modelo, como por exemplo, direção hidráulica, e também a versão aventureira Way.

    Em 2009, após quase 5 anos sem grandes mudanças, o Uno ganhou lanternas mais escuras e, por dentro, teve a antiga alavanca de câmbio substituída por uma mais moderna, e o novo logo da Fiat no volante.

    O modelo ainda passou a ser oferecido com o kit Top, incluindo rodas de liga leve, o que garantiu um charme extra na bota ortopédica de 25 anos.

    Além disso, o modelo ganhou a versão Economy, que oferecia um “econômetro”, que auxiliava o condutor a economizar combustível.

    Àquela altura já eram mais consistentes os rumores em torno do Projeto 327, que em tese substituiria o Uno.

    No início, os protótipos eram praticamente caixas de espuma, de tão camuflados. “Daquilo” sairia o Novo Uno, o quadrado redondo da Fiat, lançado em maio de 2010 e que no ano que vem deverá passar por sua primeira reestilização.

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    Mas o fim chegou.

    O velho Uno foi versátil como poucos carros foram. Teve motores pequenos, como o primeiro 1.0 com 48 cv, até um lendário 1.4 turbo com 116 cavalos, versões pé-de-boi, aventureira e umas até com certos mimos.

    Isso sem contar com sua prole, o sedã Prêmio, a perua Elba e ainda a Fiorino, em versões picape e furgão.

    O problema estaria na viabilidade técnica para instalar um airbag para o passageiro dianteiro e ainda bem que a Fiat resolveu não tentar adaptar.

    O Uno teve sua época e já tem uma nova geração, que nem custa tão mais caro.

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