Preparação financeira para comprar um carro ou moto

Organizar suas finanças é a chave para não perder dinheiro na hora de comprar um carro ou moto
8 Existem vários caminhos para comprar um veículo. Alguns deles, porém, trazem desvantagens para o bolso! O Chaves na Mão preparou algumas orientações direcionados aos futuros donos de carros e motos, tanto novos quanto usados, para fazer seu dinheiro valer mais.

Quando o assunto é comprar um carro (ou moto), o financiamento é a pior opção possível para sua saúde financeira. Segundo especialistas, ao financiar, você pagará cerca de 2 vezes ou mais o valor do veículo. Agora, quando você compra um carro à vista, tem mais poder de negociação e poderá conseguir descontos da ordem de 10%.

Preparação financeira

Para quem precisa - ou acredita que precisa - financiar um veículo, a melhor opção é dar um bom valor de entrada e financiar o restante no menor tempo possível.

Nada supera uma boa preparação financeira! Com muita disciplina e paciência você terá a recompensa no futuro, sem perder dinheiro.

O objetivo do anúncio de veículos: marcar uma vistoria presencial

Cuidados com financiamento de veículos

O financiamento de veículos, assim como o cartão de crédito e o cheque especial, é uma comodidade oferecida pelas instituições financeiras para resolver um problema muito comum das pessoas: a falta de dinheiro, agora, para comprar um bem. A primeira opção lógica seria, então, poupar até conseguir o valor desejado, atitude que é recompensada pelo ganho de juros.

Ao fazer um financiamento você deverá pagar a dívida corrigida pela inflação e, além disso, acrescida dos juros definidos em contrato. Os juros variam de acordo com a instituição financeira ou a financiadora escolhida. Confira algumas taxas de juros para financiamento de veículos (pessoa física), divulgadas pelo Banco Central do Brasil:

Instituição Taxa mensal Taxa anual
Banco Bradesco Financiamentos 0,0188 0,2497
Banco do Brasil 0,0199 0,2663
Caixa Econômica Federal 0,0203 0,2726
Banco Itaú 0,0213 0,2872
Omni Financeira 0,0399 0,0399
*taxas sempre atualizadas no link http://www.bcb.gov.br/pt-br/#!/c/txjuros/

Quando você olha para uma tabela como essa e compara as taxas de financiamento, pode achar que a diferença de 0,11% ou 0,20% é pouca coisa, mas quando se trata de juros compostos, não é!

Vamos estudar alguns exemplos com a tabela Price (parcelas com valor fixo, sem alteração com o passar do tempo) e sem considerar a taxa do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) e o TAC (Taxa de Abertura de Crédito).

Digamos que você queira comprar um carro de 60.000,00 reais, e que tenha 15.000,00 para dar de entrada. O financiamento será o mesmo para as duas situações: 45.000 reais divididos entre uma entrada de 15.000 reais e 48 parcelas mensais.

Se a taxa de juros mensal for de 1,88%, você pagará um total de 68.711,52 reais e, desse total, 8.711,52 são juros.

Agora, se a taxa mensal for de 2,08% (dois décimos mais alta), você pagará 71.571,36 reais, sendo 11.571,36 de juros.

Ou seja, com uma pequena diferença da taxa de juros, você “perdeu” ou deixou de economizar quase 3.000 reais. O que dá para fazer com 3.000 reais a mais no seu orçamento?

Dica Chaves na Mão

há na internet diversas ferramentas para realizar o cálculo da simulação de financiamento. Recomendamos três ferramentas:

  1. O Calculador, disponível neste link: http://www.calculador.com.br/ financiamento-price.

  2. O Banco Central também oferece uma calculadora, chamada de Calculadora do Cidadão, disponível em https://www3.bcb.gov.br/CALCIDADAO/jsp/index.jsp.

  3. O site Faz a Conta oferece diversas calculadoras, sendo um dos recursos mais completos para cálculos financeiros: http://fazaconta.com/.

Tipos de consumidores de carros e motos

E se você poupasse o valor das parcelas do financiamento?

Vamos apresentar a alternativa mais saudável ao financiamento: poupar pelo menos o mesmo valor da parcela que seria paga no financiamento, mês a mês.

Claro que não é uma opção muito popular… Muita gente ainda prefere realizar o financiamento. Vamos conhecer os principais motivos pelos quais a maioria das pessoas opta pelo financiamento:

  • Indisciplina

    Para honrar o compromisso mensal de poupar. Se eu não tiver alguém me cobrando, não consigo guardar esse dinheiro…

  • Impaciência

    Para esperar acumular o dinheiro necessário para comprar o veículo. Preciso do carro agora!!!

  • Falta de conhecimento

    sobre formas mais vantajosas de utilizar o dinheiro.

Muita vezes, contratar um financiamento é uma solução imediata para forçar a pessoa a honrar o valor das parcelas. Nessa situação, ao invés de estar motivada pela conquista do veículo, a pessoa é movida pelo medo de não se endividar. E isso você pode escolher: prefere viver com medo de não conseguir pagar suas parcelas, ou viver com a satisfação de conquistar sua meta financeira poupando todo dia?

A impaciência para ter o veículo imediatamente é um dos sintomas de hábitos de consumo problemáticos. Muitas pessoas encontram no consumo um remédio para sua ansiedade, e especialistas afirmam que é um comportamento cultural do brasileiro (tanto que em alguns países, por exemplo, não é comum comprar eletrodomésticos em prestações - um hábito popular no Brasil).

Preparação financeira

Para conquistar objetivos financeiros maiores, como uma casa ou um carro, é preciso aprender a controlar sua impaciência. Talvez você tenha que redefinir o que significa, para você, riqueza e sucesso. Se riqueza quer dizer andar por aí esbanjando um carrão, talvez sofra de ansiedade para ter um carro mais caro do que pode pagar.

Antes de comprometer-se com financiamentos e empréstimos, avalie suas prioridades pessoais.

Aprendendo a poupar, um passo de cada vez

Aprendendo a poupar, um passo de cada vez

Separamos algumas dicas especiais para estimular você a poupar o dinheiro necessário pelo menos para reduzir o impacto do financiamento a longo prazo.

É possível preparar-se para fazer uma poupança menor, entre 5 e 20 mil reais, o suficiente para dar uma boa entrada no seu financiamento de veículo.

Para “sobrar” um dinheirinho a mais todo mês, você tem 2 opções: aumentar sua renda ou reduzir suas despesas. Parece simples mas sabemos que não é!

A possibilidade de aumentar a renda depende muito da sua situação profissional (se é empresário, autônomo, funcionário público ou trabalhador assalariado) e de suas habilidades e competências profissionais. Mas sempre há oportunidades para trabalhos extras, “bicos” ou freelances que, apesar de exigirem esforço e planejamento, podem render uma boa poupança no final de 1 ou 2 anos.

O economista e professor da FGV-RJ, Carlos Edward (o Sr. Dinheiro), enviou para o UOL Economia algumas sugestões para cortar gastos, a partir da seguinte regra: “Tudo o que for supérfluo e que seja passível de cortar e mudar de fornecedor”, pode ser cortado.

Acompanhe alguns exemplos interessantes:

  • O aluguel pode ser negociado com a administradora

    Se não houver possibilidade de redução, você sempre tem a opção de se mudar para um lugar mais barato (menor ou mais distante do centro) para economizar. Vale a pena! O segredo é pensar a longo prazo.

  • A mensalidade escolar pode ser negociada com a escola

    Especialmente se você tiver mais do que 1 filho matriculado. Segundo o economista, muitas escolas oferecem descontos para pagamentos em dia.

  • Serviços como TV por assinatura, planos de celular e de telefonia fixa

    Podem ser revisados ou até mesmo cortados. Hoje com tantas opções de filmes e seriados disponíveis na internet, não fará mal cortar a TV a cabo por um período, a fim de economizar para comprar seu carro ou moto.

  • As compras supérfluas, aquelas motivadas pelo consumismo

    Podem ser completamente eliminadas. Será mesmo que você precisa de mais um terno/ vestido?

No início, você pode guardar o dinheiro na poupança. Lá não vai render muita coisa, mas quando você tiver adquirido o hábito e uma quantia de cerca de mil reais, poderá transferir o montante para uma renda fixa e continuar poupando. Lá os rendimentos serão mais interessantes, geralmente a uma taxa entre 0,10% e 0,20% maior do que a poupança.

O simples exercício de anotar seus gastos por 1 ou 2 meses pode revelar “vazamentos” de dinheiro no seu orçamento. Com isso você descobre mais oportunidades de fazer cortes para economizar.

Outras dicas para poupar:

  • Primeiro, pague suas dívidas

    Economize para pagar suas dívidas, depois economize para comprar um novo veículo. Uma conquista de cada vez, não tenha pressa!

  • Quando for ao supermercado, leve uma lista

    O supermercado é planejado para incentivar a compra por impulso, desde a escolha das promoções até o design da loja. Para resistir às tentações, faça uma lista do que está faltando em casa e compre somente o que estiver nessa lista.

  • Reduza ou elimine o uso do cartão de crédito

    O cartão de crédito pode ser um inimigo para quem está tentando poupar. Além de você usar um dinheiro que ainda não tem, está correndo o risco de pagar juros na fatura caso não consiga pagá-la. Elimine o cartão de crédito e aprenda a viver sem ele. Os primeiros 2 ou 3 meses serão os piores porém, se mantiver a disciplina, suas finanças compensarão a falta do cartão e logo ele será coisa do passado.

  • Não precisa restringir seu lazer, mas é bom repensá-lo

    Faça uma lista do quanto você tem gastado em lazer (viagens, restaurantes, bares e baladas) e descubra qual a representatividade desses gastos no seu orçamento mensal. Que opções existem na cidade - e até mesmo no seu bairro - que podem ser divertidas e ao mesmo tempo mais baratas? Você pode descobrir opções surpreendentes que estavam bem ali, perto de você!

  • Repense a alimentação da família

    Cozinhar em casa, além de mais saudável, é mais barato do que comer fora. Levar refeições congeladas para o trabalho poderá representar uma grande economia no final do ano. Para entender o impacto dessa mudança, faça algumas contas. Quanto custa um jantar para 3 pessoas em um restaurante, e quanto custaria o mesmo jantar se você mesmo o preparasse, comprando ingredientes na feira, no açougue ou no mercado do bairro?

  • E a última dica

    não faça mais dívidas!

A vantagem de poupar o valor da entrada antes de assumir o financiamento é que você terá um período para desenvolver novos hábitos de poupança. Pode até ser que, quando tiver juntado o dinheiro necessário, resolva seguir o plano e poupar o valor do carro para comprá-lo à vista - e conseguir um grande desconto na negociação!

Se você pretende poupar todo o dinheiro para comprar o carro e sua poupança levar entre 3 e 5 anos, uma boa alternativa pode ser o Tesouro Direto ou alguns fundos de investimento. Se for esse o seu caso, informe-se com especialistas: não mexa com ações na Bolsa de Valores sem orientação!

Antes de por as mãos no veículo, lembre-se que suas despesas aumentarão

Antes de por as mãos no veículo, lembre-se que suas despesas aumentarão

Um erro básico de quem está planejando comprar um carro ou uma moto é não considerar, no seu orçamento futuro, as despesas que o veículo irá trazer.

Além do IPVA, do licenciamento anual e dos gastos com combustível, ao andar de carro ou moto por aí você terá despesas extras como estacionamento (diário, mensalista ou o estacionamento rotativo de rua) e pedágio, despesas com seguro, eventuais multas e também custos de manutenção.

Despesas com carro

Por exemplo: sem carro ou moto, você vai de táxi ou ônibus (ou ainda de carona) ao shopping. Mas agora, com um veículo à disposição, você terá a despesa adicional do estacionamento. Obviamente o veículo permitirá mais opções de lazer e conveniência, mas sempre a um custo maior. Considere esse aumento de custos no seu planejamento financeiro.

Para quem tem moto as despesas com combustível, estacionamento e manutenção são menores, mas ainda é preciso considerar o IPVA e o licenciamento.

Além, é claro, da depreciação. Na média, o carro perde 40% do seu valor em apenas 3 anos de uso. Definitivamente o carro não é um investimento (que valoriza seu dinheiro com o tempo), ele é um passivo. Ou seja, o fato de ter um carro implica gastos de dinheiro e o valor inicial investido não pode ser recuperado.