Ecodesign: o design em favor do ambiente

    O ecodesing, além de aliar beleza e desenhos arrojados e inovadores, também deve se preocupar com o destino final dos objetos criados.

    Chaves na MãoPor : Chaves na Mão5 anos atrás

    Ecodesign

    Desde a primeira Conferência Mundial de Meio Ambiente, realizada em Estocolmo, na Suécia, em 5 de junho de 1972, o mundo vem se adaptando às necessidades de mudanças no comportamento humano. As novidades vão desde o uso de combustíveis menos poluentes, destinação correta de resíduos, até os hábitos de consumo, apoiadas por empresas com foco na produção sustentável.

    A conferência mais recente foi a de Copenhague, capital da Dinamarca, que ocorreu entre os dias 7 e 18 de dezembro de 2009. Apesar de ser considerado o mais importante da história recente dos acordos multilaterais ambientais, pois trazia o objetivo de estabelecer o tratado para substituir o Protocolo de Quioto, vigente de 2008 a 2012, o encontro foi marcado apenas por declarações políticas.

    As diretrizes desses encontros foram levadas para o cotidiano das pessoas e, hoje, são abordadas nos mais diversos setores. Medidas que evitem o desperdício e a poluição, outras que otimizem os recursos buscam um ciclo sustentável. Na arquitetura, engenharia e design não foi diferente. Nessas áreas também o ambiente ajuda a orientar a direção das decisões. O termo mais usado recentemente é “ecodesign”.

    Para a arquiteta e designer Marina Otte, a nova nomenclatura vem movimentar algo que, na verdade, já vem sendo discutido há tempos: a sustentabilidade. Marina, que também é mestre em engenharia ambiental, explica que o assunto tem sido discutido mais amplamente, com análises que vão “do berço ao túmulo”, da criação ao descarte do produto.

    A arquiteta destaca que, ao se pensar em um novo produto ou na reinvenção de um já existente, seja um móvel ou uma embalagem de alimento, é preciso focar no ecodesign. Desde o material a ser utilizado, design que requer menor quantidade de matéria-prima, até a manutenção (que seja vantajosa, tornando viável a troca de alguma peça quebrada e aumentando a vida útil do produto). “Hoje, assim como outros exemplos, é preferível jogar fora a cafeteira que estragou e comprar uma nova, a pagar pelo conserto”, lamenta Marina.

    O ecodesing, além de aliar beleza e desenhos arrojados e inovadores, também deve se preocupar com o destino final do objeto criado. Após o tempo de uso, ao menos a maior parte dele deve ser passível de reciclagem. Esse conceito já não é novidade, mas ainda há muito a se fazer. O modo de se pensar as novas construções também agrega valores de sustentabilidade cada vez mais utilizados.

    Casas e edifícios são construídos com foco no reaproveitamento de recursos, seja da água das chuvas, da luz do sol ou da água que sai da lavadora de roupas, que pode ser reutilizada em descargas sanitárias ou para lavar pisos. Marina Otte ressalta que nenhum desing é ambientalmente correto, já qEscolher o imóvel ideal: Dicas infalíveis para escolher o imóvel idealue, para a fabricação de qualquer que seja o objeto, há impacto ambiental. O ecodesign, ou design sustentável surge na tentativa de minimizar esse impacto. .

    Segundo Marina, uma construção totalmente sustentável é mais cara. Porém, dentro de cinco anos, em média, dependendo do consumo, todo o sistema implantado estará pago. Após esse período, o usuário passa a ter lucro, já que os custos com o consumo serão radicalmente reduzidos. Nas obras já construídas, é preciso lançar mão de artifícios com o mesmo objetivo. Plantar uma árvore em frente a uma janela ensolarada ajuda a reduzir o calor no ambiente interno, consequentemente, o condicionador de ar ficará menos tempo ligado.

    A arquiteta ainda avalia que é preciso estar atento ao falso ecodesign. É comum, por exemplo, a utilização de garrafas PET para criar enfeites, principalmente em datas comemorativas. Mas, se forem utilizados produtos químicos, como tintas automotivas, para pintar o plástico, ele fica inutilizável, tendo como destino o lixo comum e não mais a reciclagem. Nesse caso, além de ignorar a sustentabilidade, a tinta está contaminando a terra quando escorre com a água da chuva.

    Preservar florestas

    Uma tentativa recente que reaproveita o plástico descartado como lixo tem dado origem à madeira plástica, ou madeira biossintética. O polietileno de alta densidade (PAD), quando transformado, fica semelhante à madeira e apresenta vantagens como durabilidade e resistência à umidade. A novidade tem sido adotada pelo governo norteamericano, maior consumidor mundial do produto. No Brasil, uma empresa de Belo Horizonte produz a madeira plástica para uso na construção civil, na indústria e em paisagismo.

    A arquiteta Marina Otte analisa com cautela os benefícios das novidades que surgem no mercado. Para ela, é preciso fazer testes que certifiquem a qualidade, durabilidade e eficiência da proposta. Ela ressalta que o consumidor deve estar atento e procurar empresas atestadas por um certificador idôneo. “Muitas empresas se autocertificam, sem critérios de um órgão especializado, e isso não é garantia”, afirma.

    Não ao descartável

    Para Marina, algo que ainda precisa evoluir muito é a consciência de abandonar o imediatismo. “Os descartáveis são práticos, é verdade, mas o impacto no meio ambiente é desastroso”. Avaliar a produção e o consumo holisticamente aumenta de forma considerável o sucesso do ecodesign. A arquiteta aponta que o maior poluente em toda a cadeia de consumo é o transporte de produtos.

    Pensando nisso, os móveis que ela projeta já são elaborados de forma compacta. Assim, o espaço dentro do caminhão ou container é otimizado, exigindo menos viagens. O desenho das partes dos móveis é feito de acordo com o pedaço de madeira disponível na marcenaria, buscando sempre o melhor aproveitamento. A matéria-prima utilizada é o eucalipto com selo FSC (Forest Stewardship Council), que atende às normas de sustentabilidade: ambientalmente adequado, socialmente justo e economicamente viável.

    Outro artifício usado por Marina é a ilusão de ótica. Trabalhando com espessuras, comprimentos e linhas de corte, ela consegue fazer com que o móvel pareça mais robusto, apenas aproveitando melhor o material. Os móveis que ela desenha são feitos em partes desmontáveis, o que facilita a troca em caso de quebra. O objetivo de conservação é trabalhado para que o móvel dure por várias gerações.

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